Por Paulo Emilio
O vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo federal lançará um programa de apoio às empresas brasileiras prejudicadas pela decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida estadunidense fará com que a tarifa efetiva alcance 26,2% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA.
Governo promete apoio aos exportadores
Alckmin anunciou que o governo federal pretende adotar medidas para reduzir os impactos sobre os setores mais afetados pelas novas tarifas. “O governo terá um programa de apoio para aqui dentro estão trabalhando. Apex (agência de apoio a exportação) e ABDI (de desenvolvimento industrial) vão ter esforço para abrir novos mercados.”
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, também afirmou que a prioridade do governo será apoiar os segmentos mais atingidos pela medida. “Os setores mais atingidos são madeira, calçados e açúcar”, disse.
Segundo ele, a estratégia inclui ampliar a diversificação dos destinos das exportações brasileiras para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
Governo rebate investigação dos Estados Unidos
A decisão dos Estados Unidos foi tomada após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento analisou acusações de supostas práticas comerciais desleais do Brasil, incluindo o uso do Pix, questões relacionadas ao desmatamento ilegal e dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol.
Diante da decisão, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu integrantes da equipe econômica e diplomática para responder às alegações apresentadas pelo governo americano.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmando que ele atacou o presidente Lula de forma “grosseira e arrogante” em manifestações consideradas “inaceitáveis”. Rubio havia acusado Lula, por meio das redes sociais, de “não negociar com os EUA de boa-fé”.
Planalto anuncia reação em três frentes
Em nota, o governo informou que iniciará imediatamente os procedimentos para utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o comunicado, a resposta brasileira será estruturada em três eixos principais: a ampliação da diversificação de mercados, priorizando acordos do Mercosul com a União Europeia, a Efta e Singapura, além do avanço das negociações com México, Canadá, Japão e Índia; medidas de apoio às empresas prejudicadas por meio do Plano Brasil Soberano; e a adoção de contramedidas autorizadas pela Lei da Reciprocidade Econômica.
Governo contesta acusações do USTR
Na mesma nota, o Planalto rebateu as justificativas apresentadas pelo USTR, classificando como “descabidas” as alegações relacionadas ao Pix e à regulação das plataformas digitais, além de considerar “absurdas” as acusações envolvendo o desmatamento.
O governo também utilizou dados oficiais dos próprios Estados Unidos para contestar a tese de práticas comerciais desleais. Segundo o comunicado, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. A nota acrescenta ainda que, em 2025, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos ingressaram no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação, com alíquota média efetiva de 3,1%.
O texto também atribui responsabilidade política à família Bolsonaro pelo desfecho da investigação conduzida pelos Estados Unidos, afirmando que houve “ativa colaboração” no processo. Segundo o comunicado oficial, “são falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
Redação com Brasil 247

















