Por Arthur Felipe Farias
A cápsula Orion, usada no programa Artemis II da NASA, enfrentou um dos momentos mais críticos da missão ao retornar à Terra. Durante a reentrada na atmosfera, o veículo foi exposto a temperaturas extremas que explicam as marcas de queimadura vistas em imagens recentes. As informações são da NASA.
De acordo com dados oficiais da NASA, o escudo térmico da Orion suportou cerca de 5.000 graus Fahrenheit (aproximadamente 2.760 °C), um nível de calor impressionante, comparável a quase metade da temperatura da superfície do Sol.
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Por que a cápsula esquenta tanto?
A temperatura não vem do “ar quente”, mas da velocidade. Ao retornar de uma missão lunar, a Orion entra na atmosfera a cerca de 40 mil km/h.
Esse movimento extremamente rápido comprime o ar ao redor da cápsula, formando um plasma superquente. É esse fenômeno que eleva a temperatura para níveis extremos e coloca o escudo térmico à prova.

Calor maior que lava de vulcão
Para entender melhor esse cenário, dá para comparar com um dos fenômenos mais quentes da natureza: a lava de vulcões.
A lava normalmente atinge temperaturas entre 700 °C e 1.200 °C, podendo chegar a cerca de 1.300 °C nos casos mais intensos. Já a Orion enfrentou cerca de 2.760 °C na reentrada.

Isso significa que o calor suportado pela cápsula foi mais que o dobro da temperatura da lava. Em outras palavras, o escudo térmico precisou resistir a condições muito mais extremas do que aquelas vistas em erupções vulcânicas.
O que são as marcas de queimadura?
As imagens que circulam na internet mostram o escudo térmico escurecido, com partes aparentemente desgastadas. Isso não é um defeito, é esperado.
O material usado, chamado Avcoat, funciona por um processo conhecido como ablação. Em vez de resistir ao calor intacto, ele se desgasta de forma controlada, levando o calor embora e protegendo o interior da cápsula.

Esse mecanismo cria justamente o aspecto chamuscado que aparece nas fotos e vídeos após o pouso.
Interior protegido mesmo com calor extremo
Apesar das temperaturas externas extremas, o sistema é projetado para manter o interior seguro. Enquanto a parte externa enfrenta milhares de graus, o lado interno do escudo permanece em torno de 93 °C.
Isso garante condições seguras para astronautas e equipamentos.
Por que esse momento é tão importante
A reentrada é considerada a fase mais perigosa de qualquer missão espacial. Pequhas falhas no escudo térmico podem ter consequências graves, por isso, o desempenho da Orion é acompanhado de perto por engenheiros e especialistas.
As marcas de queimadura vistas após a missão, portanto, não indicam necessariamente um problema. Pelo contrário: são sinais de que o escudo térmico fez exatamente o que deveria, absorver e dissipar uma quantidade extrema de calor.
Redação com iG


















