Anadia/AL

1 de novembro de 2026

Anadia/AL, 1 de novembro de 2026

Fuga de Flávio desmoraliza o bolsonarismo e abre espaço para Lula pacificar o Brasil

Que a eleição abra a porta para reconstruir uma vida institucional mais pacífica e razoável.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 1 de novembro de 2026

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Lula e Flávio Bolsonaro l Crédito: Ricardo Stuckert I Charles Vieira

Dias depois de uma eleição que sacudiu as estruturas do país e abalou até o eixo político do planeta, o derrotado Flávio Bolsonaro escafedeu-se.

A Polícia Federal viu o risco, e o ex-candidato confirmou o diagnóstico. A ordem de Moraes também o proibia de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e investigado no mesmo caso. Tomaz também está nos Estados Unidos, para onde viajou às vésperas do segundo turno.

Os valores sob investigação são vultosos. No inquérito sobre o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro, as tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro somam R$ 134 milhões, e, segundo a PF, ao menos R$ 61 milhões foram transferidos em seis operações em 2025. No inquérito sobre Tomaz, os policiais identificaram movimentações de cerca de R$ 130 milhões numa só conta, em apenas três meses, entre março e maio de 2025.

Menos de 24 horas antes de partir, Flávio havia prometido o contrário. Às 16h40 de segunda-feira (26), publicou um vídeo dizendo que não sairia do país. Afirmou que nunca havia pensado nisso, que entregaria os passaportes e que ficaria para organizar a oposição ao governo Lula.

Três dias antes, Eduardo Bolsonaro já havia defendido que Flávio deixasse o Brasil se perdesse a eleição.

A fuga desmonta a narrativa de perseguição que o bolsonarismo repetiu por anos.

Na noite da derrota, Flávio disse que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação do segundo turno. Quando Moraes determinou o recolhimento dos passaportes, não enfrentou a ordem: apenas partiu, em silêncio.

Aliados primeiro negaram a saída e só depois a admitiram, nos bastidores. Já em Miami, Flávio admitiu que saiu à socapa, com a esposa, mas negou ter fugido.

“Não saí do Brasil, saí pelo Brasil”, declarou. Era a terceira versão em poucos dias, e nenhuma resiste aos fatos.

O gesto repete um padrão quadrilheiro da família. O pai cumpre pena de 27 anos por tentar derrubar o Estado democrático pela violência. O irmão Eduardo também é um evadido.

É essa a essência do bolsonarismo: lealdade canina dos bagrinhos lançados à própria sorte. Já para os líderes, uma vida banhada de privilégios e autoexílio nos Estados Unidos, garantido por um colchão de dólares sob investigação por lavagem e evasão de divisas.

A fuga do ex-candidato não anula o resultado das urnas. Ela ajuda a explicar o que as urnas disseram. Flávio terminou o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula.

Três semanas depois, Lula foi reeleito com cerca de 51,7%, na primeira e estonteante virada entre primeiro e segundo turno desde a redemocratização.

A virada tem natureza plebiscitária. O segundo turno não foi disputa entre programas: Flávio não tinha nenhuma ideia além de um tesouraço nos programas sociais. Virou um julgamento sobre o retorno do bolsonarismo ao poder.

A queda da abstenção e dos votos brancos e nulos levou Lula a somar cerca de 10 milhões de votos a mais do que no primeiro turno e a ultrapassar os 64 milhões, recorde que superou o de 2022.

O resultado teve dimensão dramática, épica. O Brasil ganhou status de país exemplar na capacidade de derrotar a ultradireita, e o L de Lula passou a ser símbolo de luta contra o autoritarismo.

Aos 81 anos, um presidente que já foi preso e teve a condenação anulada atravessou o primeiro turno em desvantagem e conquistou o quarto mandato.

Diante da ameaça de retorno do bolsonarismo, ergueu-se uma muralha: a de uma consciência democrática que mobilizou multidões nas ruas, nas redes e nas urnas, ativando até o limite todas as energias contra o projeto autoritário. O Brasil tornou-se referência para outros países que enfrentam a mesma ameaça à sua soberania.

Lula chega como exemplo de luta contra o fascismo e o imperialismo. Enfrentou um adversário que contou com o apoio do governo estadunidense. Esse governo atacou a condenação de Jair Bolsonaro, impôs tarifas ao Brasil e sancionou o ministro Moraes.

A vitória foi construída com instrumentos novos de mobilização, como o Exército do Lula, canal de WhatsApp conduzido pelo deputado André Janones, que reuniu 10,8 milhões de apoiadores nas redes. Houve muitos outros.

Os presidentes da Câmara e do Senado saudaram a vitória e apontaram a pacificação como desafio central do mandato. MDB e Republicanos, que se alinharam a Flávio na reta final, também rejeitaram o movimento de não reconhecer a derrota. Mesmo o PL reconheceu a derrota.

No aniversário de 81 anos, Lula pregou a reconciliação do país.

Lula chegou ao pináculo da carreira política. Não tem mais nada a provar, a não ser o bem dos brasileiros, e por isso está na melhor posição para conduzir a pacificação.

Com esse feito histórico e uma trajetória incontestável, Lula tem todas as condições de conduzir a reconciliação nos termos que achar mais adequados, sem vetos a priori. A autoridade para isso foi dada pelas urnas.

Abre-se uma oportunidade. O Brasil derrotou o fascismo interno e a ingerência estadunidense.

Os brasileiros estão exaustos da barbárie como forma de exercício da política. Seria bom que houvesse gestos como o de Lula, o vencedor incontestável, vindos de todos os lados.

Quem sabe o desalento da extrema-direita com seus fracassos possa conduzi-la a adotar atitudes políticas mais civilizadas.

Lula governará com um Congresso de composição adversa, mas isso não será obstáculo à pacificação. Ele sempre soube negociar, pressionar e aprovar as matérias de interesse do país, mesmo nas piores situações.

A fuga enfraquece o bolsonarismo e fortalece a mão do presidente nessa negociação. Caberá a Lula explorar a momentânea crise do adversário para transmutá-la.

Mais que a chave do sucesso do quarto mandato, a pacificação é o que o país anseia: que a eleição abra a porta para reconstruir uma vida institucional mais pacífica e razoável.

Decerto não haverá mágicas, mas as condições para mais esta virada estão amadurecendo.

# Redação C/ Brasil 247

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