Anadia/AL

1 de setembro de 2026

Anadia/AL, 1 de setembro de 2026

Pedro Serrano: o STF tem a obrigação de investigar Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro

Em entrevista ao Boa Noite 247, o jurista afirmou que seria injustificável blindar o ministro após as revelações sobre suas ligações com Daniel Vorcaro

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 1 de setembro de 2026

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Foto: Pablo Jacob e Cristiano Mariz

O jurista Pedro Serrano afirmou nesta terça-feira (1), em entrevista à TV 247, que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisam ser investigados e punidos caso haja comprovação de supostas irregularidades do magistrado e do senador na relação deles com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“É preciso que o ministro seja investigado. É preciso que Flávio Bolsonaro seja rigorosamente investigado. A apreensão dos celulares foi legítima. Surge uma investigação importante”, disse o jurista no programa Boa Noite 247, acrescentando que houve um “caminho técnico” da PF.

“Foram provas preservadas pela legalidade”, pontuou Serrano, dizendo que, para “preservar a integridade institucional do Supremo”, o desfecho das investigações devem ficar mais depois das eleições, marcadas para o dia 4 de outubro, com segundo turno eleitoral marcado para o dia 25 do mês que vem. “O plenário do Supremo é soberano na democracia”, acrescentou o jurista.

Escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou uma transferência de US$ 1.666.667 feita pelo  ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao fundo norte-americano Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025. O fundo administrava recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia sobre ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo reportagem da revista Piauí, o pagamento ocorreu meses depois de maio de 2025, data apontada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, como o momento em que Vorcaro teria interrompido os repasses para o projeto.

A transferência também teria ocorrido oito dias depois de Flávio Bolsonaro enviar uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas que estavam atrasadas. Com o pagamento identificado pelo Coaf, o total transferido por Vorcaro para a produção passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor equivalente, pela cotação daquele período, a mais de R$ 65 milhões.

Mensagens indicam possível oitavo pagamento

Diálogos entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, responsável por auxiliar na captação de recursos para o longa-metragem, indicam que outro pagamento pode ter sido realizado no mês seguinte.

Em mensagem de 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou ao banqueiro: “consegue liberar as parcelas do filme?”. Na sequência, acrescentou: “se não vai parar tudo por lá ”.

Miranda informou, então, que avisaria a equipe e que Flávio Bolsonaro também telefonaria para Vorcaro. De acordo com os diálogos apresentados na reportagem, o banqueiro pediu ao publicitário que transmitisse suas desculpas ao senador pelos atrasos.

Caso essa transferência adicional, de aproximadamente US$ 1,6 milhão, tenha efetivamente ocorrido, o volume destinado por Vorcaro ao projeto chegaria a US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões. O acordo previa um total de US$ 24 milhões. Sete parcelas aparecem como pagas até setembro, enquanto as mensagens de outubro apontam para uma possível oitava transferência.

Declarações de Flávio são confrontadas pela apuração

Os novos registros também colocam sob escrutínio declarações anteriores de Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Vorcaro e o financiamento da produção.

Em março de 2025, depois que seu telefone apareceu na agenda do banqueiro, o senador afirmou à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que nunca havia mantido contato com Vorcaro.

Posteriormente, questionado pelo jornalista Thalys Alcântara, do Intercept Brasil, sobre o financiamento de Dark Horse pelo dono do Banco Master, Flávio negou a informação e a classificou como mentira.

Em entrevista posterior à GloboNews, o senador afirmou que o Havengate Development Fund era fiscalizado pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) e sustentou que a estrutura financeira havia sido encerrada quando surgiram as primeiras suspeitas relacionadas aos negócios de Vorcaro. O fundo, contudo, não possui registro na SEC e continua registrado como ativo nos dados fazendários do Texas.

Procurada pela revista Piauí, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que perguntas relacionadas aos pagamentos deveriam ser encaminhadas à produtora responsável pelo filme. Mesmo diante do registro de uma transferência posterior ao período apontado pelo senador para o encerramento dos pagamentos, sua equipe manteve a posição de que ele não tinha esclarecimentos adicionais a prestar.

PF apura caminho percorrido pelo dinheiro

A Polícia Federal investiga a estrutura financeira utilizada para as transferências. Segundo as informações disponíveis, os recursos não eram enviados diretamente pelas empresas de Vorcaro à produtora norte-americana Go Up Entertainment LLC.

As remessas passavam por Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e Participações e que já se apresentou publicamente como especialista em operações de câmbio de saída.

O dinheiro tinha como destino o Havengate Development Fund, sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado especializado em imigração e ligado ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Cabia ao Havengate posteriormente transferir recursos para a Go Up.

A investigação busca esclarecer se todo o dinheiro encaminhado ao fundo foi efetivamente utilizado na produção de Dark Horse ou se uma parcela permaneceu no Havengate ou teve outra destinação, inclusive eventual custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O deputado passou a morar no país em fevereiro de 2025, mesmo mês em que Vorcaro fez a primeira transferência de US$ 2 milhões ao Havengate.

Até o momento, porém, as investigações policiais não encontraram provas materiais de que os recursos tenham sido desviados para despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro.

Caso Alexandre de Moraes

As revelações divulgadas nesta terça-feira (1º) acrescentaram novos elementos sobre a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Mensagens e documentos encontrados pela Polícia Federal  no celular do banqueiro registram contatos com Moraes, referências a encontros e tratativas relacionadas ao contrato milionário firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado. O material veio a público após o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no STF, retirar o sigilo de documentos do caso.

Um dos principais pontos revelados envolve o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório Barci de Moraes. Metadados de uma minuta encontrada no aparelho de Vorcaro apontam um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável por uma alteração no documento.

As mensagens também mostram que Vorcaro tratava o acordo como prioritário e chegou a orientar seu então sócio Angelo Silva a restringir o acesso ao contrato. Em março de 2025, ao descobrir que um pagamento não havia sido efetuado, o banqueiro cobrou providências imediatas e classificou o acordo como o “contrato mais importante” mantido pelo banco.

O material apreendido pela PF também revelou contatos de Vorcaro com Moraes nos dias que antecederam sua primeira prisão, em novembro de 2025. Em uma das mensagens, o banqueiro manifestou profunda gratidão ao ministro e à sua família; em outra, pediu um encontro para o dia seguinte. Registros divulgados nesta terça indicam ainda que Vorcaro chegou a consultar Moraes sobre a possibilidade de deixar o país antes de ser detido.

Paralelamente, a documentação reúne referências a encontros presenciais entre os dois. As mensagens preservadas são aquelas redigidas por Vorcaro; eventuais respostas atribuídas ao ministro não aparecem nesses registros, o que impede, apenas com esse material, estabelecer qual teria sido a reação de Moraes às solicitações do banqueiro.

Outra revelação envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes com limites de até R$ 300 mil. As mensagens indicam que o pedido partiu do administrador do escritório Barci de Moraes e chegou diretamente a Vorcaro, que autorizou o encaminhamento da solicitação. O escritório confirmou a emissão, mas afirmou que os cartões jamais foram utilizados.

A divulgação do conjunto de informações provocou repercussão dentro do próprio STF: Moraes e André Mendonça tiveram uma forte discussão após o primeiro tomar conhecimento das diligências que resultaram na identificação de seu nome nas mensagens de Vorcaro.

A existência dos contatos, documentos e cartões, isoladamente, não comprova a prática de ilegalidades, e Moraes e o escritório de sua mulher têm negado irregularidades na relação com o Banco Master.

Redação com Brasil 247 

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