Anadia/AL

19 de maio de 2026

Anadia/AL, 19 de maio de 2026

Justificativa de Flávio Bolsonaro para visitar Vorcaro preso e monitorado vira zoeira nas redes

Envolvo numa teia de escândalos e com respostas cada vez mais inverossímeis, senador se tornou alvo de piadas ao “explicar” por que manteve relação com banqueiro fraudador até após prisão.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 19 de maio de 2026

P.2

O senador Flávio Bolsonaro - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Brasil

Por Henrique Rodrigues

A vida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não está fácil. Na tentativa de se equilibrar como pré-candidato à Presidência da República, o parlamentar agora precisa gastar mais tempo costurando desculpas criativas para seus escândalos do que fazendo campanha. A mais nova pérola do repertório retórico do senador, que já virou piada generalizada nas redes sociais nesta terça-feira (19), foi a tentativa de explicar o inexplicável: o que ele foi fazer na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, quando o empresário fraudador já estava preso e sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.

Segundo Flávio, o encontro com o maior nome do crime do colarinho branco do país no momento não teve nada de mais. Foi apenas para “botar um ponto final na história” do financiamento do filme Dark Horse, a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para o qual Vorcaro já havia “dado” R$ 61 milhões.

A internet, claro, não perdoou a audácia da narrativa. Afinal, no manual de sobrevivência política de qualquer pré-candidato à Presidência, visitar um banqueiro recém-saído da carceragem da PF por fraudes financeiras para “discutir o fim do financiamento ao cinema” não costuma ser a primeira recomendação.

A “DR” com o banqueiro de tornozeleira

Flávio “abriu o coração” e deu detalhes da reunião com parlamentares do PL que enterrou de vez o quesito verossimilhança de sua assessoria de imprensa:

“Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco. Então, foi uma grande dificuldade nesse momento, arrumar outros investidores que pudessem concluir esse filme”, justificou o filho de Jair Bolsonaro.

Ou seja, na versão do senador, ele não estava preocupado com as graves investigações da Polícia Federal sobre o Master, mas sim com o cronograma da Hollywood da direita. Flávio praticamente foi cobrar o banqueiro por não ter avisado antes que a PF bateria à sua porta, atrapalhando a captação de recursos para a obra cinematográfica.

A cronologia dos fatos, revelada pelo portal Metrópoles, mostra o nível do desespero. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, tentando fugir do país em um jato particular para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No dia 28 de novembro, o TRF-1 concedeu a soltura mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Flávio não esperou sequer a poeira baixar: cruzou a porta de Vorcaro no dia seguinte à soltura, com o banqueiro ainda testando o novo adereço no tornozelo.

Posteriormente, em 4 de março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, assumiu o inquérito e mandou Vorcaro de volta para a cadeia, onde permanece.

Fogo amigo e o pânico no PL

A admissão do encontro ocorreu logo após uma reunião tensa da bancada do PL, na sede do partido comandado por Valdemar Costa Neto, em Brasília. Flávio foi encurralado pelos próprios correligionários. Integrantes da pré-campanha, assustados com o volume de escândalos em que o senador se enredou, exigiram um “feijão com arroz” da verdade, temendo novas bombas.

O pânico dos aliados faz sentido. Recentemente, o portal The Intercept Brasil divulgou áudios e conversas explícitas em que Flávio Bolsonaro cobrava Vorcaro diretamente por dinheiro para o filme. Pegos de surpresa pelo vazamento, os parlamentares do PL agora assistem, atônitos, o seu pré-candidato tentar se desvencilhar de um escândalo financeiro usando a sétima arte como cortina de fumaça.

Nas redes, a fábrica de memes já opera em turno extra. A tese de que um senador da República vai à casa de um fraudador bilionário monitorado pelo Estado apenas para “bater um papo sobre patrocínio e para por um ponto final na relação” entrou direto para o hall das desculpas mais bizarras da história política recente.

Redação com Revista Fórum


Galeria de Imagens