
José Reinaldo
O presidente Lula defendeu parcerias para explorar terras raras com soberania nacional e desenvolvimento, afirmando que o Brasil está disposto a negociar com chineses, americanos, alemães, franceses, japoneses e outros países, desde que o controle sobre os recursos minerais brasileiros seja preservado. As informações são do G1.
O presidente Lula defendeu parcerias para explorar terras raras com soberania nacional e desenvolvimento, afirmando que o Brasil está disposto a negociar com chineses, americanos, alemães, franceses, japoneses e outros países, desde que o controle sobre os recursos minerais brasileiros seja preservado. As informações são do G1.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (18), durante cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP). O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda enfrenta o desafio de avançar no processamento e na industrialização desses minerais, setor hoje liderado pela China.
Lula afirmou que o país precisa acelerar o mapeamento e a exploração de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia, para a transição energética e para a defesa. Esses elementos químicos são usados em smartphones, turbinas, baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas militares, entre outras aplicações.
Ao tratar do tema, o presidente ressaltou que o Brasil conhece apenas parte de seu potencial mineral e defendeu o uso da ciência para ampliar esse levantamento. “Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos e não sei das quantas e o Brasil só tem 30% de conhecimento do que tem nesse seu território imenso. E vai ter que fazer um levantamento de 100% do Brasil. Eu estava pensando: o que o Sirius pode fazer pra gente? Porque, se a gente depender de fazer estudo cavando buraco, vai demorar muito”, disse Lula.
Acelerador Sirius e papel da ciência
Na avaliação do presidente, centros científicos como o Sirius podem ajudar o Brasil a dar um salto no conhecimento sobre suas reservas minerais. Lula associou a exploração das terras raras à capacidade nacional de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.
“A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês pra gente dar um salto e ver, se em um curto espaço de tempo, a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, afirmou.
A fala ocorreu em meio à disputa comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China, países que ocupam posições centrais na reorganização global das cadeias de minerais críticos. Lula disse esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixe de “brigar” com o líder chinês Xi Jinping e passe a se associar ao Brasil em projetos do setor.
Parcerias sem abrir mão da soberania
Ao defender a abertura a investidores estrangeiros, Lula reforçou que o Brasil não aceitará acordos que comprometam a soberania nacional. O presidente afirmou que o país não tem preferência por parceiros específicos, mas estabeleceu como condição o respeito ao controle brasileiro sobre suas riquezas minerais.
“Não temos veto, preferência por ninguém, pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou.
A posição do governo é que eventuais parcerias internacionais devem preservar o comando nacional sobre os recursos e garantir que a exploração das terras raras não repita o padrão histórico de exportação de commodities com baixo valor agregado, como ocorreu em setores como ouro e minério de ferro.
Industrialização dentro do Brasil
Lula tem defendido que o Brasil avance além da extração e passe a processar e industrializar terras raras e minerais críticos dentro do próprio território. A estratégia busca gerar desenvolvimento tecnológico, ampliar a riqueza produzida no país e agregar valor à cadeia mineral.
Segundo o presidente, o país deve usar suas reservas como instrumento de desenvolvimento, e não apenas como fonte de matéria-prima para outras economias. O governo avalia que o domínio de etapas industriais ligadas aos minerais críticos pode fortalecer a posição brasileira em cadeias globais de tecnologia.
Relação com Estados Unidos e China
Lula também comentou a relação do Brasil com Estados Unidos e China no contexto dos minerais críticos. Recentemente, o presidente esteve na Casa Branca com Donald Trump e afirmou que, durante a reunião de quase três horas, disse ao norte-americano que os Estados Unidos deixaram de investir no Brasil, abrindo espaço para a China.
Neste ano, os Estados Unidos apresentaram a diferentes países uma proposta de cooperação voltada à exploração de terras raras e minerais críticos. O Brasil rejeitou o modelo por avaliar que ele feria princípios relacionados à soberania nacional.
A orientação defendida por Lula é que qualquer acordo no setor seja construído de forma a respeitar a propriedade brasileira sobre os minerais e a promover desenvolvimento interno. Para o governo, as terras raras representam uma oportunidade estratégica para combinar cooperação internacional, ciência nacional e industrialização no Brasil.
Redação com Brasil 247


















