Por: Diogo Dantas
Endrick esteve em campo por apenas 34 minutos até o momento nesta Copa. Ainda assim, tornou-se um dos principais personagens do Brasil no torneio. Sem receber oportunidade como titular de Carlo Ancelotti, o atacante de 19 anos viu a espera por uma chance virar mobilização popular e se transformar em um fenômeno de marketing que extrapolou o futebol, inspirou campanhas publicitárias e consolidou sua imagem como uma das grandes marcas esportivas da nova geração.
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O clamor pela entrada do atacante ultrapassou o universo esportivo. As discussões deixaram programas de TV, conversas de bares e escritórios e chegaram a perfis de empresas, influenciadores e entidades públicas. Um debate que passou a existir independentemente da participação do jogador em campo.
A repercussão ganhou proporções incomuns e começou a ser aproveitada por marcas de diferentes segmentos, inclusive sem qualquer vínculo comercial com o atacante. A 99, aplicativo de transporte e entregas, lançou campanha oferecendo R$ 99 em cupons para clientes atendidos por motoristas ou entregadores chamados “Endrik” — sem a letra “c”. Já a montadora Nissan publicou uma placa de carro escrito “Endrk19”, acompanhada da mensagem: “Você também quer ver ele acelerando por aí?”. O engajamento da publicação foi muito superior à média da montadora.
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A C&A, por sua vez, lançou uma camisa inspirada em uma imagem que viralizou no amistoso entre Brasil e Egito, quando, na comemoração do gol, o número 19 de Endrick dobrou e pareceu o 10.
Segundo Thiago Freitas, empresário e executivo da Roc Nation, agência responsável pela gestão da carreira do atacante, o interesse despertado pelo jogador surpreendeu.
— Vimos isso como algo inédito e muito positivo porque confirma que ele desperta um interesse do público que transcende o campo e não depende da performance, nem mesmo de estar ou não atuando. Mas também olhamos para isso como algo que demanda cautela — explicou.
A repercussão levou o estafe a monitorar possíveis casos de marketing de emboscada envolvendo empresas que utilizaram o nome ou a imagem de Endrick sem autorização. A CBF fez o mesmo em função de seus patrocinadores.
— Tanto os patrocinadores da CBF quanto os dele questionaram o uso da imagem e do nome de Endrick sem um vínculo formal. Nós, em respeito aos parceiros e por obrigação com quem investiu no atleta, passamos a monitorar tudo o que foi publicado, avaliando o que era razoável, o que envolvia exploração comercial e o que poderia gerar advertências, notificações ou cobranças — completou Freitas.
Mania nacional
Outras ações foram pensadas. A TV Globo recriou, em publicação nas redes sociais com Fábio Porchat, o personagem Zé da Galera, criado por Jô Soares e eternizado pelo bordão “Bota ponta, Telê!”, desta vez com apelo para a entrada do atacante. No Recife, até a tradicional família dos bonecos gigantes ganhou um novo integrante. Um boneco inspirado em Endrick reforçou a galeria de Pelé, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Vini Jr.
Até Ancelotti precisou tratar do assunto. Antes da partida contra a Escócia, com Neymar prestes a voltar a atuar pela seleção, o treinador foi questionado sobre a pressão popular pela utilização de Endrick.
— A torcida empurra muito Endrick, mas amanhã temos também Neymar. Vão apoiar Neymar ou Endrick? Acho que vão apoiar os dois — disse na ocasião.
A previsão se confirmou apenas em parte. O retorno de Neymar monopolizou boa parte das atenções da arquibancada e das redes sociais, enquanto Rayan fez sua primeira partida como titular em uma Copa e também mobilizou a torcida. Endrick voltou a entrar em campo, mas jogou oito minutos diante da Escócia, depois dos 26 contra o Haiti. Questionado sobre a espera, o jovem foi sereno.
— Não tem ansiedade. Só de estar aqui com a seleção já é uma vitória. Tudo vai acontecer naturalmente. Tenho que ficar tranquilo — garantiu.
Marca global
A valorização da imagem de Endrick já vem sendo construída antes mesmo da Copa. No início do torneio, o atacante passou a estampar um gigantesco painel publicitário da New Balance em frente ao Madison Square Garden, em Nova York, um dos espaços de mídia mais valorizados e movimentados dos EUA. Endrick tornou-se uma das principais apostas globais da marca. Na semana das finais da NBA, os painéis dividiram espaço com ações do New York Knicks. Quando a bola rolou, a exposição ganhou outra dimensão.
Atualmente, Endrick também possui contratos de patrocínio com Red Bull, EA Sports, Gillette, Neosaldina e Sicoob. O jovem revelado pelo Palmeiras mostrou que sua influência vai muito além das quatro linhas e que, mesmo ainda à espera do protagonismo esportivo, já se consolidou como uma das marcas mais valiosas do futebol brasileiro.
Redação com O Globo

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