Relatórios produzidos pela Receita Federal e pelo Banco Central ( BC ) detalham uma rede de pagamentos realizados pelo Banco Master, sob o comando do banqueiro Daniel Vorcaro, a políticos de destaque, ex-ministros e veículos de comunicação. Entre os beneficiários listados nos documentos estão o ex-presidente Michel Temer e o portal de notícias Metrópoles.
O fluxo financeiro inclui contratos de consultoria e serviços jurídicos e está sob análise de órgãos de controle que buscam identificar se os repasses serviram como contrapartida para a defesa de interesses do grupo financeiro em Brasília e no Judiciário.
O BC investiga especificamente o ex-diretor de fiscalização da autarquia, Paulo Sérgio Neves de Souza. De acordo com o relatório, Souza teria simulado a venda de um sítio para Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o objetivo de ocultar o recebimento de vantagem indevida. A transação apresentou valores conflitantes entre os contratos e o registro em cartório, além de identificar que familiares do ex-diretor continuaram administrando a propriedade mesmo após a suposta venda, o que indica uma operação de fachada.
Os repasses financeiros também alcançam o ex-secretário de comunicação da presidência, Fabio Wajngarten, cuja empresa teria recebido cerca de R$ 38 milhões do grupo vinculado a Vorcaro. As investigações indicam que esses valores foram destinados à defesa jurídica e estratégica do banqueiro em diferentes frentes.
O relatório aponta ainda que o escritório de advocacia de Michel Temer teria recebido R$ 10 milhões do Banco Master em 2025. O ex-presidente, por sua vez, afirma que o pagamento diz respeito à contratação de “uma atividade jurídica de mediação” no valor de R$ 7,5 milhões, contestando o que foi informado pelo banco à Receita.
Rede de influência
A Receita Federal mapeou que a estrutura de pagamentos do Banco Master se estende a uma lista diversificada de políticos e ex-ministros de diferentes governos, consolidando uma rede de influência que permeia órgãos reguladores e esferas de decisão na capital federal.
Em outra frente de investigação, o Supremo Tribunal Federal (STF) interpelou a Prefeitura de São Paulo sobre os elos entre o Banco Master e as concessionárias responsáveis pelos serviços funerários na cidade.
A gestão de Ricardo Nunes foi acionada para explicar a origem do financiamento das empresas que assumiram o setor após a privatização, uma vez que o banco de Vorcaro aparece como o principal suporte financeiro das operações. O tribunal busca esclarecer se houve favorecimento ou irregularidades na composição societária e financeira desses contratos públicos.
Blindagem midiática
Os documentos divulgados revelam ainda que o portal Metrópoles recebeu quantias vultosas do Banco Master. A relação financeira entre uma instituição bancária sob investigação e um dos maiores portais de notícias do país tem sido monitorada para verificar se o apoio econômico influenciou a cobertura jornalística ou até serviu como ferramenta de blindagem mediática.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) classificou como suspeitos os repasses de R$ 27,2 milhões efetuados pelo Banco Master ao portal Metrópoles entre os anos de 2024 e 2025.
O relatório técnico destaca que os aportes foram realizados de forma “inusitada” e apresentam uma movimentação financeira incompatível com o faturamento médio mensal do veículo de comunicação comandado pelo ex-senador Luiz Estevão. A natureza dessas transações levantou alertas nos órgãos de controle sobre a finalidade real dos recursos transferidos pela instituição financeira ao grupo midiático.
Além do volume atípico, o Coaf identificou que o Metrópoles realizava o “débito imediato” dos valores recebidos do Master para outras empresas pertencentes à família de Estevão.
A Receita aponta que a movimentação de recursos para o Metrópoles e figuras políticas coincide com períodos em que o Banco Master expandia suas operações e enfrentava processos administrativos em órgãos federais.
As defesas dos citados negam irregularidades. Os advogados de Paulo Sérgio Neves de Souza afirmam que a venda do imóvel ocorreu de forma legal e a preço de mercado. Fabio Wajngarten sustenta que os valores recebidos referem-se a serviços profissionais efetivamente prestados. Já o Banco Master e Daniel Vorcaro declaram que todas as suas operações financeiras e contratações de serviços seguem as normas vigentes e são devidamente declaradas às autoridades competentes, rechaçando as teses de simulação ou influência indevida.
* Redação Agências



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